XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Terapia Endoscópica E-VAC na deiscência de anastomose colorretal

Resumo

APRESENTAÇÃO DO CASO: RSC, feminino, 67 anos, com diagnóstico de adenocarcinoma de reto médio, submetida a ressecção anterior de reto com anastomose colorretal primária e ileostomia em alça. Diagnóstico intraoperatório de metástase hepática, caracterizando estadiamento pT2 N0 M1. No 8º dia de pós-operatório evoluiu com febre e dor abdominal. Tomografia computadorizada de abdome e pelve evidenciando deiscência de sutura do coto retal e volumosa coleção adjacente (10,1 x 7,0 x 9,4 cm). Realizou drenagem percutânea da coleção, com dreno pigtail, e antibioticoterapia venosa. Após 20 dias, manteve saída de secreção purulenta através do dreno. Avaliação endoscópica visualizou deiscência de 75% da circunferência da anastomose e presença de trajeto adjacente à alça colônica, em fundo cego, com mucosa pálida, friável, contendo exsudato purulento e fibrina. Optado por instalação de terapia endoscópica a vácuo, com reavaliações semanais. Houve melhora evolutiva, com redução da área cruenta, formação de tecido de granulação e redução progressiva do débito através do dreno - que foi então retirado. Terapia endoscópica a vácuo foi suspensa após 24 dias. Retossigmoidoscopia flexível após dois meses evidenciando resolução completa da deiscência.
DISCUSSÃO: O tratamento da neoplasia de reto constitui situação desafiadora, e a abordagem cirúrgica segue como terapia com capacidade curativa. Dentre as técnicas estabelecidas, a ressecção anterior de reto é proposta atraente, que oferece a possibilidade de anastomose colorretal. Está associada, entretanto, a diversas complicações, com destaque para deiscência de anastomose. O tratamento cirúrgico dessa condição é complexo e tem alta morbimortalidade. O desenvolvimento de técnicas endoscópicas trouxe para esse cenário uma nova opção de intervenção: a terapia a vácuo endoscópica. Ela contribui para a cicatrização tecidual através de cinco mecanismos principais, incluindo macrodeformação, microdeformação, alterações perfusionais, controle de exsudato e clearance bacteriano. Trata-se de técnica segura, minimamente invasiva e que vem demonstrando bons resultados, reduzindo a necessidade de reabordagens cirúrgicas e contribuindo para vida livre de ostomia a longo prazo.
COMENTÁRIOS FINAIS: A deiscência de anastomose é complicação frequente e de difícil manejo após o tratamento cirúrgico da neoplasia de reto. A terapia a vácuo endoscópica é técnica recente que tem se mostrado uma opção promissora na condução desses casos.

Área

Endoscopia - Colonoscopia

Autores

Anna Luiza Pereira Alvarães, Thais Porphirio de Oliveira, Cesar Augusto da Fonseca Lima Amorim, Diego de Lacerda Barbosa, Nathalia Barros Santos, João Victor Targat Novaes, Lucas Felipe Barbosa Lourenço, Matheus França da Silva