XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

RELATO DE CASO: ESÔFAGO NEGRO EM UM PACIENTE DE 71 ANOS

Resumo

APRESENTAÇÃO DO CASO: Paciente masculino, 71 anos, admitido em um hospital terciário da cidade de Curitiba (PR), no mês de abril de 2022, por protocolo de hemorragia digestiva alta (HDA). Possui hipertensão arterial sistêmica e asma, em uso irregular de losartana e salbutamol. Ex-tabagista, cessou há 20 anos, índice tabágico de 20 maços-ano, e refere etilismo com consumo de cerca de 1 a 2 doses, 3 vezes por semana, desde os 25 anos. Iniciou quadro de vômitos hemáticos em moderada quantidade 24h antes da admissão. Última evacuação há 2 dias, sem sangramento. Dados vitais na admissão eram estáveis. Sem alterações no exame físico, exceto pela presença de melena no exame retal. Sem sangramento no conteúdo da sonda nasogástrica, conferido por teste de peroxidase. Prescrito jejum e iniciado analgésicos, antiemético e protetor gástrico. Realizados exames laboratoriais, com evidência de discreta alteração de função renal, sem coagulopatia associada; e discreta leucocitose com bastonetose de 12%. Realizada endoscopia digestiva alta (EDA) que demonstrou esofagite erosiva grau D de Los Angeles com necrose de esôfago distal (esôfago negro). Após o exame, foi liberado a dieta líquida para o paciente, e após dois dias a dieta pastosa. Recebeu alta hospitalar após 11 dias da admissão com inibidor de bomba de prótons dose dobrada. Retorno ambulatorial em 15 dias com resultado do exame anatomopatológico, que evidenciou gastrite oxíntica e biópsia de esôfago com fundo de lesão ulcerada. Em endoscopia realizada após 1 mês foi evidenciado esofagite erosiva grau B de Los Angeles. DISCUSSÃO: A necrose esofágica aguda (NEA), mais conhecida como “esôfago negro”, é uma entidade rara. Afeta preferencialmente o esôfago distal. Possui etiologia multifatorial. Aproximadamente 70% dos pacientes apresentam HDA. O diagnóstico normalmente é acidental, encontrado em pacientes submetidos a EDA devido a quadro de HDA. A terapêutica é focada no tratamento da doença subjacente e nos cuidados de suporte. O paciente deve ser mantido inicialmente em pausa alimentar, e a dieta deve ser reintroduzida lentamente. A intervenção cirúrgica é reservada para os casos de perfuração esofágica com mediastinite e formação de abscesso. COMENTÁRIOS FINAIS: Ao considerar que o esôfago negro é uma entidade rara, relatar um caso agrega conhecimento para comunidade médica e contribui para o processo de ensino e aprendizagem.

Área

Endoscopia - Endoscopia digestiva alta

Autores

Débora Cristina Haack Bassani, Isabella de Souza Dreher, Rafaella Monteiro Barbosa, Elizeu Daniel da Silva Junior , Milena Luiza Kroyzanovski , André Montes Luz, Ana Luisa Bettega