XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

HEPATECTOMIA NÃO REGRADA PARA TRATAMENTO DE TRAUMA HEPÁTICO GRAVE, APÓS CONTROLE DE DANOS

Resumo

APRESENTAÇÃO: Paciente do sexo feminino, 16 anos de idade, procura atendimento por politrauma secundário a acidente motociclístico. A paciente apresentava história de TCE, trauma abdominal fechado, trauma torácico com fratura do 8° EIC direito. Apresentava ainda instabilidade hemodinâmica com Ultrassonografia evidenciando líquido livre. Foi submetida a Cirurgia de Controle de Danos por hemoperitôneo maciço e reabordada após 72h, com achados de Avulsão parcial com desvitalização do segmento VII, bem como coleperitôneo. Optado por Hepatectomia não regrada do segmento VII, tendo boa evolução em pós operatório, com fístula biliar de baixo débito e recebendo alta com retirada de dreno após sete dias.
DISCUSSÃO: O fígado é um dos órgãos abdominais mais acometidos no trauma, incidindo sobre 20% dos pacientes de trauma contuso de abdome. Nesses casos, elas podem ser decorrentes de trauma direto sobre o rebordo costal direito, a coluna vertebral e da força de desaceleração, em apenas 10% com lesão hepática isolada. Apesar dos avanços das técnicas cirúrgicas, as lesões vasculares e biliares complexas permanecem com elevadas taxas de morbimortalidade. Seu tratamento varia de tratamento não cirúrgico na imensa maioria dos casos, porém pode necessitar de recursos pouco disponíveis como Angiografia e Embolização e evoluir em casos selecionados para Hepatectomias e até transplante hepático. O principal determinante da escolha do tratamento é a instabilidade hemodinâmica, que se presente infere a necessidade de cirurgia imediata. Se estabilidade, deve se realizar tomografia contrastada para definir o grau da lesão, que necessita de abordagem endovascular se acima de Grau III.
COMENTÁRIOS FINAIS:
O trauma hepático contuso pode ser um desafio técnico para o Cirurgião da emergência. As hepatectomias são procedimentos de exceção no trauma hepático, estando indicadas apenas em pacientes com grandes áreas de parênquima desvitalizado e nunca devem ser indicadas no contexto de instabilidade hemodinâmica, por sua dificuldade técnica e tempo necessário para o procedimento. Em novas abordagens programadas e condições clínicas menos hostis, realizada por equipe cirúrgica com experiência em abordagens hepáticas.

Área

Cirurgia - Fígado

Autores

José Arthur Dantas Balduino, João Pedro Moraes de Ferreira, Jonatas Eliatan Batista de Queiroz, Lo-Amy David de Oliveira Silva, Caio Ribeiro Maranhão Leite, Dmitry José de Santana Sarmento, Túlio Silva Freire, Túlio Arcoverde do Nascimento, Mateus Brito Farias, Giulia Lopes Carvalho, Edson Almeida Guimarães