XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Apresentação atípica de Linfoma não Hodgkin mimetizando hérnia umbilical: Relato de caso

Resumo

Apresentação do caso: Masculino, 60 anos, portador de cirrose hepática por vírus da Hepatite C (VHC), apresentou descompesações por ascite e encefalopatia. Em seguimento ambulatorial, relatou queixa de abaulamento em região periumbilical há 15 dias. Paciente não apresentava sinais e sintomas associados ao trato gastrointestinal, excluindo a hipótese diagnóstica de abdome agudo obstrutivo. Ao exame físico, identificou-se massa periumbilical não redutível às manobras de Valsalva, dolorosa à palpação, imóvel, sem sinais flogísticos e sem outras massas ou linfadenomegalias palpáveis. Paciente foi submetido à endoscopia digestiva alta, colonoscopia, raio x de tórax, ultrassonografia e tomografia computadorizada (TC) de abdome total, para investigação de possível sítio primário de neoplasia. TC evidenciou uma massa periumbilical sólida, em tecido celular subcutâneo, sem comunicação com a cavidade abdominal, descartando a hipótese diagnóstica de hérnia umbilical. Sem diagnóstico, optou-se por uma ressecção cirúrgica da lesão. O estudo anatomopatológico com imunohistoquímica, chegou-se ao diagnóstico de Linfoma não Hodgkin de grandes células B. Paciente evoluiu no pós-operatório com deiscência de ferida operatória, o qual teve resolução com cicatrização por segunda intenção. Atualmente encontra-se em tratamento quimioterápico. Discussão: O VHC é uma doença viral infecciosa, contraída por via sanguínea, sendo que 60-85% vão evoluir para forma crônica. A doença possui diversas manifestações intra e extra-hepáticas, entre elas, sabe-se que o vírus possui um tropismo pelo tecido linfoide, ocorrendo assim, doenças imunomediadas, como o Linfoma não Hodgkin de grandes células B, o qual advém de células linfoides anômalas. A fisiopatologia dessa relação é explicada pela cronificação do VHC no organismo, o qual estimula o sistema imune por ação patogênica viral, aumentando o risco de conversão maligna. O Linfoma não Hodgkin de grandes células B comumente se apresenta nos gânglios axilares, inguinais e cervicais, entretanto deve-se levar em consideração o aparecimento em localidades incomuns, como evidenciado no presente relato. Essa importância se deve pela possibilidade de diagnósticos diferenciais, tais como, nódulo da Irmã Maria José e hérnias da parede abdominal. Comentários finais: Quando evidenciado uma massa em região umbilical, a hipótese diagnóstica de Linfoma não Hodgkin deve ser considerada, embora seja uma localização não usual.

Área

Cirurgia - Miscelânea

Autores

Júlia Bueno Maldonado, Ana Carolina Carleto Fante , Sérgio Luiz Fernandes Filho, Raphael Raphe