XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Angiofibroma raro em omento maior: relato de caso

Resumo

Apresentação do Caso:
Paciente do sexo masculino, 37 anos, encaminhado ao serviço de referência em cirurgia oncológica no Rio Grande do Norte com queixas de dor em hipocôndrio e flanco esquerdos há cerca de dois anos, sem alterações em função evacuatória ou alimentação. Trazia exames de imagem (ultrassonografia de abdome total e tomografia computadorizada de abdome) que evidenciaram massa sólida heterogênea de contornos regulares em mesogástrio / flanco direito, medindo 110 x 55 mm em seus maiores diâmetros, sem evidente contato com estruturas locorregionais. Os exames de rotina cirúrgica foram solicitados e o procedimento marcado, ocorrendo sem intercorrências. A tumoração foi encontrada facilmente ao início do inventário, estando localizada em omento maior próximo à grande curvatura do estômago, a ressecção foi realizada com resultado da congelação para neoplasia de células fusiformes. Não foram encontrados implantes peritoneais, nódulos hepáticos, demais lesões de alça ou presença de líquido ascítico. O paciente recebeu alta após um dia. O anatomopatológico confirmou a ausência de acometimento linfonodal e margens da ressecção livres. O perfil imuno-histoquímico, associado aos achados morfológicos, corrobora o diagnóstico de angiofibroma.
Discussão:
Angiofibroma é um raro tumor benigno de tecidos moles. Sua localização mais comum é na nasofaringe, sendo descrito na literatura apenas poucos relatos de caso sobre o acometimento de outros órgãos. Para chegar ao correto diagnóstico histopatológico, é preciso haver um exame anátomo-patológico e análise imunohistoquímica bem detalhados para fazer adequada distinção com tumores mesenquimais. Histologicamente, trata-se de um tumor localmente agressivo com ampla vascularização, o que explica a tendência a sangramento espontâneo em seu sítio anatômico mais frequente, fato não observado no caso relatado. O tratamento se dá a partir da abordagem cirúrgica.
Comentários Finais:
Apesar de ser um evento raro, o caso alerta acerca da necessidade da avaliação de múltiplas hipóteses pelo médico assistente e patologista. Além disso, levanta hipóteses sobre possíveis comportamentos distintos do angiofibroma a depender do órgão acometido, sendo de extrema relevância a avaliação clínica criteriosa desses pacientes para completa compreensão das repercussões clínicas desse tumor no trato gastrointestinal.

Área

Cirurgia - Miscelânea

Autores

Matheus Felipe Muniz da Silva, Pedro Vilar de Oliveira Villarim, José Eduardo Nóbrega Moura, Isadora de Albuquerque Falcão Feitosa, Francimar Ketsia Serra Araujo Barbosa, José Tóvenis Fernandes Júnior, Pietro Austregesilo Nogueira, Luiz Cláudio Jammal Fernandes