XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Alterações hepatobiliares associadas ao transplante de medula óssea

Resumo

Introdução: complicações hepatobiliares (C-HEPBILI) ocorrem em até 80% dos pacientes submetidos ao transplante de medula óssea (TMO). Objetivo: avaliar a frequência e características clínicas das C-HEPBILI em pacientes submetidos ao TMO. Método: estudo transversal, que incluiu pacientes transplantados entre 2017 e 2021, sendo avaliado tempo entre o TMO e o diagnóstico da C-HEPBILI, desfecho e tempo de internação hospitalar. Lesão hepática induzida por droga (DILI), lesão hepática associada à sepse (SALI), síndrome da obstrução sinusoidal (SOS), doença do enxerto contra hospedeiro (GVHD), dentre outras condições, foram analisadas. O diagnóstico de DILI foi feito de acordo com o guideline da EASL. Para SALI, foi considerado o contexto infeccioso associado à bilirrubina total ≥ 2 mg/dL e FA ou transaminases ≥ 2xLSN. Foram utilizados os critérios de Seattle, Baltimore e EBMT para o diagnóstico de SOS; GVHD hepática foi considerada em pacientes que cursaram com GVHD de pele e/ou intestinal. Para alterações que não preencheram os critérios anteriores, definiu-se elevação de enzimas hepáticas como um aumento ≥ 1,5xLSN; elas foram denominadas de elevação isolada de enzimas hepáticas (EIEH) e associadas a uma etiologia quando pertinente. A análise foi feita utilizando o teste de Mann-Whitney e Qui-quadrado quando apropriado. Resultados: dos 377 sujeitos incluídos, 55,7% apresentaram C-HEPBILI. Quando comparados média de idade, gênero, presença de alteração hepática pré-TMO entre indivíduos com e sem C-HEPBILI, respectivamente, observou-se média de idade de 49,3 (±13,4) e 50,5 (± 14,7) anos, sexo feminino correspondeu a 52,9% e 38,3% dos casos (p 0,005); 42,9% dos indivíduos com C-HEPBILI tinham alteração pré-TMO versus 29,9% dos sem C-HEPBILI (p 0,01). DILI contabilizou 13,3% das C-HEPBILI, sendo 43% hepatocelular e 43% colestática. SOS foi responsável por 8,1% das complicações, sendo 70,6% casos leves a moderados. EIEH que ocorreu em 74,7% dos casos. As outras complicações tiveram menor frequência. As médias de tempo de internamento dos pacientes com e sem C-HEPBILI foram, respectivamente, 25,1 (± 17,4) e 18,5 (±7,7) dias (p < 0,001). A frequência de óbitos foi maior no grupo C-HEPBILI (13% x 3%) (p < 0,001). Conclusão: C-HEPBILI é frequente após o TMO, ocorre mais em mulheres e em pacientes com alterações hepáticas pré-TMO. Seu surgimento aumenta tempo de internação e se associa a maior frequência de óbito.

Área

Gastroenterologia - Fígado

Autores

Maria Gabriela Fernandes Dezan, Marco Aurélio Salvino de Araujo, Alessandro de Moura Almeida, Hugo Rodrigues Carvalho Silva, Lourianne Nascimento Cavalcante, Helma Pinchemel Cotrim, André Castro Lyra