XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Infliximabe no tratamento do pioderma gangrenoso associado a doença de Crohn: droga de primeira escolha?

Resumo

Apresentação do caso: A.N., feminino 44 anos, diagnostico doença de crohn (DC) há aproximadamente 10 anos, sem tratamento. Previamente colostomizada por ressecção de tumoração de sigmoide, comparece no atendimento com quadro de hemorragia digestiva baixa. Á colonoscopia fora visualizada presença de colite moderada em colo excluso (sigmoide distal e reto), sem alterações no colo proximal (histopatológico - DC, e possível colite de exclusão). Iniciado tratamento, e após 60 dias, já em uso de azatioprina e mesalazina, apresentou novo sangramento retal e pela colostomia quando fora prescrito infliximabe sem adesão. No ano seguinte com diagnóstico de apendicite fora submetida a apendicectomia, quando evoluiu com hérnia paracolostômica encarcerada e realizado redução do conteúdo e fechamento da colostomia em alça de transverso. Em 40 dias de evolução surgiram lesões cutâneas ulceradas em região pericolostômicas, pubiana e raíz da coxa esquerda, com colonoscopia evidenciando processo inflamatório proximal á anastomose em colo esquerdo. Iniciado tratamento com hidrocortisona 400mg/dia e infliximabe (IFX). Realizou-se desmame progressivo do corticoide com resolução completa das lesões após a quarta dose do IFX.

Discussão: O IFX aparece na literatura como sendo a melhor opção terapêutica, mas com base principalmente num estudo em que a maioria dos pacientes havia recebido corticoide concomitantemente. Outros estudos documentaram a eficácia do IFX no tratamento do PG, como um estudo retrospectivo multicêntrico com apenas 13 pacientes, todos com Doença inflamatória intestinal (DII) os quais responderam a essa terapia. Todos os estudos com IFX utilizaram a dose padrão de 5mg/kg nas semanas zero, dois e seis e após a cada oito semanas, assim como no caso apresentado.

Comentários finais: A PG apesar de infrequente, ocorre em formas graves e pode ser um grande desafio, especialmente pela falta de estudos que demonstrem a melhor opção terapêutica. As melhores evidências, embora fracas, sugerem o uso de corticoides sistêmicos associado ao IFX evidenciando os melhores resultados. Em relação ao prognóstico, estudos de acompanhamento de pacientes com PG sugerem que, com o tratamento, mais de 50% dos pacientes alcançam a cicatrização completa da ferida em um ano. Diante disso, apesar de considerada grave, a doença deve ser estudada e compreendida afim de obter diagnósticos certeiros e oferecer tratamento adequado ao paciente, de modo a evitar maiores complicações.

Área

Gastroenterologia - Intestino

Autores

MAGDA PRISCILA CARODOSO AFONSO, CARLA MOURA FÉ ELIAS, GABRIELLI AVELAR KOGA, ELOISA BARBOSA BRUM, CARLOS HENRIQUE MARQUES DOS SANTOS