XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Endoscopia do terceiro espaço no tratamento de Coristoma esofágico

Resumo

Relato de caso:
Paciente masculino, 3 anos, diagnosticado com refluxo gastroesofágico desde o nascimento e tratado clinico sem melhora. Evoluiu com engasgos e vômitos pós-alimentares e perda de peso. Foi submetido a EDA que evidenciou estenose de esôfago. TC de Tórax com pequena dilatação do esôfago proximal, compatível com estenose congênita do esôfago. REED: esôfago sem redução significativa do esvaziamento apesar da estenose congênita. EcoEDA: Na topografia do esôfago médio nota-se subestenose com cerca de 6 mm de diâmetro que permitia a passagem do endoscópio pediátrico Slim. Estenose recoberta por mucosa normal. Realizada EcoEDA com Ebus setorial na topografia da subestenose identificado tecido hiperecogênico, homogêneo, com 1,8mm de espessura ocupando toda a circunferência, acometendo a 3a camada compatível com tecido de fibrose e cartilaginoso (coristoma). Realizado tratamento endoscópico com técnica de STER (submucosal tunnelling endoscopic ressection): Identificado a estenose em esôfago médio, aplicado solução de adrenalina 1:20.000 e feita abertura da mucosa para início da dissecção há cerca de 3cm da estenose. Dissecado até observar anel e realizado secção completa, com retirada de fragmento de 2 mm do anel. A seguir progredido balão hidrostático de 15mm, sob pressão de 3 ATM, e realizada estenostomia sob visão da fluoroscopia, observamos se desfazer a “cintura” da estenose cartilaginosa. Fechamento do ponto de abertura da mucosa com clipes. Paciente evoluiu com melhora da ingesta e ganho de peso.
Discussão:
A estenose congênita do esôfago -coristoma - é uma anomalia que ocorre quando o trato respiratório embrionário não se separa adequadamente do intestino primitivo, causando o sequestro de células precursoras do trato respiratório dentro da parede do esôfago. Seu tratamento endoscópico somente com a dilatação com balão é associado a índices elevados de perfuração. A associação da ressecção submucosa do anel cartilaginoso previamente à dilatação, reduz as taxas de recorrência e complicações. A realização da dissecção prévia até visualização direta do anel e a secção do mesmo, serviu como direcionador para estenostomia com balão, de modo a facilitar o local de abertura da estenose com menor morbidade.
Conclusão:
A ressecção endoscópica pela técnica de STER prévia a estenostomia com dilatação é um tratamento promissor e efetivo para pacientes pediátricos com estenose congênita de esófago comparado com a dilatação endoscópica isolada.

Área

Endoscopia - Endoscopia digestiva pediátrica

Autores

Lorena Rocha Dias Machado, João Felipe Machado Campos, Gabriela Sampaio Lima Araújo, Patricia Cruz Guimarães Pinto, Marco Antonio Viana Gomes, Carlos Alberto Silva Barros, Andre Luiz Dias Gomes Machado