XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Estrongiloidíase sistêmica com diagnóstico endoscópico por duodenite grave

Resumo

Paciente de 38 anos, caminhoneiro, sem comorbidades. Realizou tratamento para toxoplasmose ocular em 06/2022 com sulfametoxazol/trimetroprim e prednisona (80mg/dia). Evoluiu com astenia, dor abdominal, vômitos e diarreia. Verificado espessamento colônico em tomografia e iniciado ciprofloxacino e metronidazol para colite infecciosa. Sem melhora e com episódio de hematêmese sem repercussão, foi internado dia 10/07/2022 com suspeita de colite pseudomembranosa, com proteína C reativa de 74 mg/L, elevação de transaminases (ALT = 87 U/L e AST = 60 U/L), hipoalbuminemia de 2,1 g/dL e HIV não reagente. Apresentou hiponatremia grave de 115, sem sintoma relacionado, corrigida com soro a 3%. Tratamento empírico com vancomicina oral por 10 dias sem resposta. Endoscopia digestiva alta (EDA) identificou duodenite erosiva intensa na 2ª porção duodenal, com enantema difuso intenso, múltiplas erosões planas cobertas por fibrina, muco aderido sobre as mesmas e redução difusa do padrão vilositário à imersão. Biópsia da 2ª porção duodenal identificou Strongyloides stercoralis. Realizado tratamento com ivermectina, 18 mg por 2 dias, repetido com 12 mg por 2 dias após 7 dias, com melhora clínica e laboratorial e alta em 31/07/22. EDA de seguimento ambulatorial evidenciou mucosa duodenal de aspecto normal. Paciente com episódios de dor abdominal, sendo realizado novo curso de ivermectina 18 mg por 2 dias. O S. stercoralis é um nematódeo que tem o ser humano como hospedeiro e cuja transmissão ocorre pelo contato com larva filarióide em solos contaminados. O paciente pode conviver com infecção subclínica, porém, em imunossupressão, a infecção pode disseminar-se. Sintomas incluem diarreia, constipação, anorexia e dor abdominal na fase aguda e, na fase crônica, sintomas cutâneos, tosse, eosinofilia, sangramento gastrointestinal, síndrome nefrótica, ascite, disabsorção, lesões hepáticas e artrite. Na hiperinfecção, observam-se: distúrbios hidroeletrolíticos, obstrução intestinal, colite e sepse. O diagnóstico é feito com pesquisa direta por microscopia do agente, cultura e sedimentação. No caso relatado, o diagnóstico foi dado pela identificação direta do S. estercoralis na biópsia duodenal. O tratamento é feito com ivermectina por 2 dias, repetida após 2 semanas, podendo associar antibiótico contra Gram negativos. Recomenda-se redução de imunossupressores. Portanto, a EDA exerceu papel fundamental no diagnóstico da estrongiloidíase, possibilitando tratamento e boa resposta clínica.

Área

Endoscopia - Endoscopia digestiva alta

Autores

FERNANDO ANTONIO CASTRO CARVALHO, NATHALIA DA SILVA BRAGA, RODRIGO RODA RODRIGUES DA SILVA, LUDMILA RESENDE GUEDES, ROBERTO GARDONE GUIMARÃES, CAMILA MARQUES MADUREIRA, PEDRO HENRIQUE FERREIRA GROSSI, SANDRO RODRIGUES CHAVES, FLAVIA CARVALHO CARDOSO COSTA, ALCIMAR DE MELO ROSA