XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Pseudomixoma peritoneal em idosa – Apêndice cecal ou ovário? Relato de caso

Resumo

APRESENTAÇÃO DO CASO: Paciente feminina, 71 anos, com aumento do volume abdominal e incontinência urinária nos últimos 5 meses. Exame de imagem com massa ovariana gigante. No intra operatório observado além do tumor ovariano, presença de carcinomatose em peritônio diafragmático peri-hepático e apêndice cecal espessado e endurecido. Realizado salpingooforectomia bilateral, histerectomia, colectomia direita, omentectomia e peritoniectomia da lesão macroscópica. Anatomopatológico descreve Neoplasia Mucinosa de Baixo Grau (LAMN) do apêndice cecal, Carcinoma de Padrão Mucinoso de ovário direito e pseudomixoma peritoneal.
DISCUSSÃO: O pseudomixoma peritoneal é raro e normalmente diagnosticado após a quarta década de vida. Em 30-50% dos casos, os doentes apresentam distensão abdominal progressiva (“barriga de geleia”), a descoberta de uma massa ovariana em mulheres ou desenvolvimento recente de uma hérnia inguinal, apendicite ou oclusão intestinal. Em 90% dos casos, a lesão primária é um tumor mucinoso do apêndice, mas tumores mucinosos de ovário têm sido descritos (7%) e, mais raramente, tumores mucinosos de cólon, estômago, pâncreas e úraco. Os locais mais acometidos por “implantes” tumorais são o grande omento, superfície inferior da hemicúpula diafragmática direita, espaço retro-hepático direito, goteira parietocólica esquerda, ligamento de Treitz e espaços pélvicos. O tratamento como citorredução cirúrgica periódica não é curativo, mas visa aliviar os sintomas. Apesar das várias modalidades terapêuticas, ele permanece de cura difícil, com taxas de sobrevida em cinco e dez anos entre 75% e 60%, respectivamente. A cirurgia citorredutora associada a HIPEC constitui uma modalidade de tratamento para carcinoma de apêndice com disseminação peritoneal, pseudomixoma peritoneal e mesotelioma peritoneal.
COMENTÁRIOS FINAIS: Paciente idosa com queixas inespecíficas e vagas de caráter insidioso, diagnosticada por meio de exame de imagem com massa ovariana gigante. Apenas durante o intra-operatório foi observado implantes tumorais peritoneais e apêndice cecal fora da normalidade, sendo necessário extensão da programação cirúrgica. Realizado citorredução cirúrgica como forma de redução dos sintomas e tentativa de controle da progressão da doença. Apesar da raridade desse tipo de tumor, sua apresentação seguiu de forma esperada, com provável sítio primário o apêndice cecal.

Área

Cirurgia - Miscelânea

Autores

TRICIA ALINE RIBEIRO PATTINI DE SOUZA, FABIO CRESCENTINI, GABRIEL FONSECA E NUNES, FABIO BRITO SAUCEDO, LUCAS DE SENA LEME, BIANCA ESCOREL COSTA FAVA, PEDRO VIOTTI GODINHO, VITOR YAMASITA, PAMELLA CRISTINA SAWAYA SACAMOTO, RAFAELA ARAUJO LOJUDICE