XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Embolização Transarterial: Hemoperitônio por Ruptura de Carcinoma Hepatocelular em Cirrótico Child C e Instável.

Resumo

Apresentação do Caso: Masculino, 54 anos, com HIV e cirrose por álcool e vírus da Hepatite C, procura atendimento por quadro de dor abdominal difusa de início súbito acompanhada de episódios de síncope. Em exames de imagem, evidenciado hemoperitônio por provável ruptura capsular de uma das lesões de carcinoma hepatocelular (CHC). Avaliado pela equipe cirúrgica que indicou tratamento conservador. Após alguns dias de internação, apresentou instabilidade hemodinâmica, nova queda de hemoglobina e aumento de hemoperitônio. Indicado novamente manejo conservador. Nesse contexto, a equipe da gastroenterologia optou por avaliar a possibilidade de embolização transarterial com radiologia intervencionista. Com o objetivo de tentar conter o sangramento, decidido entre equipes e paciente por realizar o procedimento. Apesar dos riscos, o mesmo foi realizado com sucesso. Em reavaliação, após mais de 1 mês da alta hospitalar, paciente mantinha estabilidade hemodinâmica e hemoglobina apresentava-se em ascensão. Discussão: O CHC ocorre, na maioria dos casos, em pacientes com cirrose. É a terceira principal causa de morte relacionada ao câncer no mundo. Uma das complicações dessa enfermidade é a ruptura espontânea da lesão, uma condição potencialmente fatal. Observa-se evolução desfavorável com o tratamento conservador isolado em mais de 80% dos casos. Assim, após a ressuscitação inicial e estabilização, deve-se individualizar e avaliar as opções terapêuticas de acordo com o estágio do tumor, a função hepática subjacente e a viabilidade da ressecção. Há métodos efetivos para controle da hemorragia, mas muitas vezes são contra indicados por alterações da função hepática. A Embolização Transarterial (TAE) e a ressecção tumoral são opções para pacientes com função hepática preservada, porém ainda há pouca descrição da sua aplicação naqueles com comprometimento hepático. Comentários Finais: Métodos efetivos para controle de sangramento por ruptura de CHC em geral são indicados apenas para pacientes com função hepática preservada. Porém, devemos individualizar cada caso e avaliar a opção de embolização transarterial naquelas situações em que há alto risco de ressangramento, sempre reiterando em conversa com paciente os riscos e benefícios dessa opção. Mesmo sendo um procedimento de alto risco, tal medida pode aumentar a sobrevida daqueles que não tem perspectiva de melhora se mantiverem apenas o tratamento conservador.

Área

Gastroenterologia - Fígado

Autores

BIBIANA POSSOBON BURMANN, JÉSSICA NUNES MULLER, THOMAZ AUGUSTO DA SILVA SANTOS, DIEGO MICHELON DE CARLI, CAROLINE CANABARRO CAURIO, DANIELA GOMEZ DA COSTA, JOÃO CARLOS CANTARELLI JÚNIOR, EDUARDO BUZATTI SOUTO, ALEXANDRE RAMPAZZO, ALESSANDRO THEISEN FISCHER, DANIELA OLIVEIRA TEIXEIRA, RAFAEL FABIANO SILVEIRA DA COSTA, MARIANA RODRIGUES, GUILHERME GRUCHOWSKI VIEIRA, LUIZ HENRIQUE MISSIO