XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

MICROBIOTA INTESTINAL EM PACIENTES BARIÁTRICOS

Resumo

INTRODUÇÃO
A disbiose intestinal (DI), isto é, um desequilíbrio da composição da microbiota intestinal (MI), está frequentemente presente em indivíduos obesos ou com síndromes metabólicas relacionadas e tende a ser modificada após a cirurgia bariátrica.
MÉTODOS
Este artigo trata-se de uma revisão bibliográfica sistemática, que busca analisar as mudanças na microbiota intestinal de pacientes submetidos à cirurgia bariátrica. Utilizou-se o Descritor em Ciência da Saúde, com termos: “disbiose intestinal” a “cirurgia bariátrica”, onde foram eleitos 28 artigos nas bases de dados PubMed e Scielo
DISCUSSÃO
O intestino humano possui uma grande variedade de bactérias, que apresentam diversas funções fisiológicas e bioquímicas no corpo humano. Indivíduos obesos apresentam diminuição na diversidade do microbioma intestinal, o que diverge de indivíduos magros. A baixa riqueza de genes microbianos está associada a doenças metabólicas, como obesidade, inflamação e resistência à insulina. As técnicas convencionais para cirurgia bariátrica incluem banda gástrica ajustável laparoscópica (LAGB), gastrectomia vertical (VSG), bypass gástrico em Y de Roux (RYGB) e derivação biliopancreática/duodenal switch (BPD/DS) e é observada alteração da microbiota independente da técnica utilizada, porém essas mudanças são díspares. Quando comparadas as técnicas, o RYGB demonstrou modificar de forma mais significativa a microbiota, apesar de não causar alteração na diversidade. As bactérias, após a cirurgia, se alteram progressivamente, e aos 3 meses de pós-cirúrgico observou-se que elas já não eram iguais. Essas mudanças não se sustentaram a longo prazo, regredindo aos valores iniciais do pré operatório após 12 meses, mas a melhora do metabolismo persistiu. Outros indivíduos pós-operados não obtiveram essa rápida mudança na MI após a cirurgia, mas a melhora do metabolismo foi alcançada após 1 ano. Pacientes diabéticos que realizaram RYGB foram capazes de permanecer sem medicação para controle glicêmico quando comparados a pacientes que realizaram VSG. A técnica RYGB aumentou a neoglicogênese intestinal e células secretoras de GLP-1, melhorando o DM2 em bariátricos. Logo, após o procedimento ocorre alteração da composição, do conteúdo genético e dos perfis de fermentação de bactérias intestinais, promovendo diminuição da adiposidade geral, melhora rápida do metabolismo da glicose e remissão das comorbidades da obesidade.

Área

Gastroenterologia - Microbiota/Probióticos

Autores

Júlia Guimarães Pereira, Daniel Yuji Tanaka, Giovanna Nagatsuka Guidini, Melissa Zanetti Cadona, Diego Werneck Siriani Ribeiro, Mariana Tafner Perondini, Karen Danielle Oliveira, João Kleber Almeida Gentile