XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

HIPERINSUFLAÇÃO DE BALÃO INTRAGÁSTRICO: RELATO DE CASO

Resumo

APRESENTAÇÃO DO CASO: Sexo feminino, 40 anos, advinda de penitenciária, com queixa de dor abdominal de início há 5 meses, associada a vômitos e diarreia. Referiu inserção de balão intragástrico (BIG) há um ano, não removido. Ao exame físico: abdome globoso, depressível, doloroso difusamente à palpação profunda, sem sinais de irritação peritoneal, com massa palpável em epigástrio. Tomografia de abdome evidenciou câmara gástrica distendida, por balão de conteúdo líquido gasoso com porção metálica em sua periferia, com volume de 1.430 ml, ocasionando distensão das paredes gástricas e abdominal anterior, obliterando parcialmente o antro gástrico. Realizada endoscopia digestiva alta sob anestesia geral, onde observou-se presença de BIG hiperdistendido, localizado em fundo e corpo gástrico, recoberto por placas amareladas sugestivas de infecção fúngica. Realizada perfuração do balão com pinça de corpo estranho com saída de gás e líquido azulado, sendo removido sem intercorrências. Endoscopia revisional sem alterações. Fez uso de fluconazol e ciprofloxacino por 7 dias, evoluindo com melhora clínica, aceitando bem dieta via oral. DISCUSSÃO: BIGs são os dispositivos da endoscopia metabólica e bariátrica mais amplamente utilizados, induzindo à saciedade, resultando em perda de peso. De acordo com o I Consenso Brasileiro de Balão Intragástrico, a hiperinsuflação espontânea é uma complicação não tão rara (0,9%). Há poucos casos descritos na literatura, e a causa ainda é desconhecida. A correlação de infecção por fungos ou bactérias anaeróbias é a hipótese mais aceita. É uma complicação que simula a impactação antral, apresentando sintomas semelhantes. A troca do acessório se faz necessária quando diagnosticado, e em muitos casos o mesmo paciente pode apresentar novo episódio. Outra complicação associada é a formação de uma camada de fungos sobre o balão, a hipótese mais considerada é que o ambiente básico devido ao uso de inibidores de bomba de prótons possa ser a causa dessa ocorrência. CONSIDERAÇÕES FINAIS: O perfil de segurança do BIG está bem estabelecido. Uma revisão sistemática avaliou eventos adversos relacionados ao uso de BIG. Os eventos adversos mais comuns foram náuseas e vômitos (23,3%) e dor abdominal (19,9%), seguidos de refluxo gastroesofágico (14,3%), diarreia ou constipação (10,4%) e estase gástrica (8,3%). A remoção precoce ocorreu em 3,5% e foi mais relacionada a dores abdominais, náuseas e vômitos. A mortalidade foi de 0,05%.

Área

Endoscopia - Endoscopia digestiva alta

Autores

DANIEL de ALENCAR MACÊDO DUTRA, RENATA BRITO AGUIAR de ARAÚJO, PABLO DANTAS ALENCAR, JEANY BORGES e silva RIBEIRO, DANIELA CALADO LIMA COSTA, LEONARDO LINO MARTINS JÚNIOR, VINY SAMPAIO de BRITO