XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Papilomatose esofágica difusa associada a neoplasia gástrica avançada, um relato de caso

Resumo

Apresentação do caso clínico
Paciente, masculino, 61 anos, previamente hipertenso e tabagista, procedente da Bahia com quadro de dor abdominal em epigástrio e perda ponderal. Em exame de endoscopia digestiva alta há evidência múltiplas lesões polipoides sésseis difusas desde esôfago proximal até distal, de aspecto verrucoso, com cerca de 2 a 6 mm de diâmetro, fortemente sugestiva de papilomas esofágicos, associada a lesão úlcero-infiltrativa de cárdia (Swiert II), revestida por mucosa enantemática, friável, com fundo necrótico que se estende para terço distal do esofâgo e até corpo gástrico distal, ocupando circunferencialmente todas as paredes esofágicas e gástricas. A biópsia de lesão em cárdia evidenciou adenocarcinoma moderadamente diferenciado. Durante exames de estadiamento, foram evidenciados metástases à distância em fígado e sistema nervoso central, ascite, linfonodomegalias retroperitoneais, celíacas, perigástricas. Em avaliação conjunta com equipe de oncologia foi optado por tratamento convservador devido aos sinais de doença avançada e instituído cuidados paliativos. O paciente evolui a óbito após cerca de 2 meses do diagnóstico.

Discussão
Papilomas esofágicos isolados são lesões esofágicas comuns, benignas, raramente evoluem para malignidade. Sua etiologia está associada à irritação crônica da mucosa, por doença do refluxo, tabagismo, etilismo e infecção pelo HPV. Mas, a presença de papilomatose difusa é um achado raro e pode corresponder a um quadro paraneoplásico. A fisiopatologia está associada à produção autócrina de TGF-alfa e da presença do receptor do fator crescimento epidermal (EGF), que pode estar presente em lesões gástricas avançadas. Em alguns casos, podem haver manifestações cutâneas associadas, como acantose nigrans maligna e papilomatose cutânea. O caso descrito, mostra um quadro de paciente com neoplasia gástrica avançada, associada a papilomatose difusa, ocupando todo o esôfago do paciente. Esse é um quadro raro descrito na literatura e sua origem provavelmente se trata de um quadro paraneoplásica relacionado a neoplasia.

Comentários finais
A papilomatose esofágica difusa é um quadro raro. Apesar de ser um quadro benigno em si, ela pode ser evidência de um quadro paraneoplásico, geralmente associado a tumores gastrointestinais. Sua correta identificação pelo endoscopia é importante para o diagnóstico preciso e para o rastreio da origem de neoplasia.

Área

Endoscopia - Endoscopia digestiva alta

Autores

Sara Cardoso Paes Rose, Anna Paula Mendanha da Silva Aureliano, Juliana de Meneses