XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

CARACTERÍSTICAS E DESFECHOS DE PACIENTES ADMITIDOS COM COLITE AGUDA GRAVE EM UM HOSPITAL TERCIÁRIO DE SÃO PAULO

Resumo

Introdução: A Colite Aguda Grave (CAG) é uma das complicações mais temidas da Retocolite Ulcerativa (RCU) já que, apesar dos avanços nos tratamentos disponíveis, as taxas de colectomia em eventos de CAG permanecem semelhantes aos descritos em 1974 (24%). Além disso, há poucos dados na literatura brasileira descrevendo as características dos pacientes admitidos com CAG e desfechos após o diagnóstico. Objetivos: Descrever as características dos pacientes admitidos com CAG em um hospital terciário, a resposta a corticoterapia, a necessidade de terapia de resgate e a taxa de colectomia. Metodologia: Trata-se de estudo retrospectivo descritivo no qual foram avaliadas todas as admissões na enfermaria de gastroenterologia de um hospital terciário entre os dias 01 de janeiro de 2018 e 31 de maio de 2022. CAG foi definida com base nos critérios de Truelove: presença de ≥ 6 evacuações com sangue em 24h associada a sinais de toxicidade sistêmica (febre, taquicardia, anemia ou VHS/PCR elevados). Resultados: No período analisado, houve 40 admissões por CAG em 35 pacientes diferentes. A média de idade dos pacientes foi de 41 anos, sendo 13 (37,2%) pacientes do sexo masculino e 22 (62,8%) do sexo feminino. Na amostra, 34 pacientes já possuíam o diagnóstico de RCU estabelecido, enquanto 6 pacientes (15%) apresentaram CAG como quadro inicial da doença. Todos os pacientes receberam corticoterapia endovenosa (metilprednisolona 60mg/dia ou hidrocortisona 300mg/dia) e heparina para profilaxia de TEV, enquanto 92% receberam antibioticoterapia. A taxa de resposta à corticoterapia foi de 82,5% (33/40 pacientes), sendo o tempo médio de terapia endovenosa de 5,7 dias. Dos 7 pacientes que não responderam a corticoterapia, todos receberam terapia de resgate, sendo 5 infliximabe, 1 ciclosporina e 1 tofacitinibe. A taxa de resposta à terapia de resgate foi de 71,4%, de modo que 2 pacientes (5%) necessitaram de colectomia durante o período de internação. Durante o seguimento após a alta hospitalar, apenas dois paciente foram submetidos a colectomia por intratabilidade clínica. Desse modo, a taxa de colectomia em nossa coorte foi de 7,7% (3/39) em 3 meses, 8,6% (3/35) em 6 meses e 15,4% (4/26) em 12 meses. Conclusões: A taxa de falha do tratamento clínico levando a colectomia foi menor em nossos pacientes do que o descrito em literatura, tanto durante a internação (5% x 24%) quanto no seguimento após a alta hospitalar.

Área

Gastroenterologia - Intestino

Autores

Talles Falqueto Renon, Renata Zatta Silva, Thais Viana Tavares Trigo, Ana Cristina de Castro Amaral, Orlando Ambrogini Junior, Marjorie Costa Argollo