XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Colite aguda grave no contexto da pandemia da COVID-19: Evolução clínica em uma série de casos

Resumo

Introdução: Aproximadamente 25% dos pacientes com retocolite ulcerativa (RCU) ou colite de Crohn irão apresentar um episódio de colite aguda grave (CAG) durante o curso da doença . No contexto da pandemia da COVID-19 o manejo da CAG pode ser desafiador.
Objetivo: Relatar a evolução dos pacientes diagnosticados com CAG entre os anos de 2020 a 2022 em centro de referência.
Método: Revisão de prontuários eletrônicos para análise e levantamento de dados. Foram incluídos pacientes com critérios diagnósticos de CAG: frequência de evacuações com sangue > 6 episódios/dia, associada à pelo menos um dos seguintes: febre ( temperatura > 37,8º), frequência cardíaca > 90 batimentos/minuto, hemoglobina < 10,5 g/d) ou VHS > 30mm/h.
Resultados: O total de 12 casos de CAG foi identificado. Entre eles, 75% eram do sexo feminino, média de idade de 41 anos. Metade dos pacientes tinham RCU e outra metade, colite de Crohn, com média de duração da doença de 3,4 anos. A maioria (84%) dos pacientes não havia recebido terapia prévia com imunobiológico. À admissão todos foram submetidos à retossigmoidoscopia, pesquisa de Citomegalovírus e de infecção por Clostridioides difficile que foi negativa, e corticoterapia venosa iniciada com Hidrocortisona 100mg 8/8h. No terceiro dia de evolução, 8 (66,3%) pacientes apresentaram resposta clínica à corticoterapia. Entre os pacientes refratários, um deles foi submetido à de terapia de resgate bem sucedida com infliximabe e outro com ciclosporina. Dois pacientes evoluíram com necessidade de colectomia e um deles evoluiu para óbito por complicações da COVID-19 nosocomial. No seguimento ambulatorial (em 6 meses), os dois pacientes que necessitaram de terapia de resgate evoluíram para colectomia, um deles após recorrer com CAG. Os demais pacientes encontram-se em terapia anti-TNF sem novas intercorrências.
Conclusão: O manejo da CAG no contexto da pandemia da COVID-19 deve ser em ambiente hospitalar, sendo a corticoterapia endovenosa a terapia de primeira linha neste contexto. Para pacientes refratários, a terapia de resgate com Infliximabe ou Ciclosporina parece ser segura. A colectomia de urgência se reserva aos pacientes refratários ou com megacólon tóxico. No seguimento de pacientes que responderam ao manejo clínico, a taxa de colectomia (18,2%) foi elevada.

Área

Gastroenterologia - Intestino

Autores

Iasmyn Gomes Teodoro, Julio Maria Fonseca Chebli, Liliana Andrade Chebli, Fábio Heleno de Lima Pace, Gisele Euzébio de Faria, Antonnielle Ronney Fernandes de Souza, Letícia Croce Stephani, Tarsila Campanha da Rocha Ribeiro, Kátia Valéria Bastos Dias Barbosa, Lívia de Almeida Costa, Lívia dos Remédios Pamplona de Oliveira, Helena Maria Giordano Valério, Rafaela Barbosa dos Reis, Patrícia Campos Lima, Riulla Madaleno Gonçalves, Rogério Khalil Akkari Evangelista