XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Fístula colecistoentérica em homem com quadro de colecistite aguda prévia: um relato de caso

Resumo

Apresentação do caso: W.M.R, sexo feminino, 57 anos, iniciou quadro de crises de dor abdominal intensa com um ano de duração e episódios ocasionais de diarreia. Portadora de hipertensão arterial sistêmica (HAS), apresentou fissura e fístula anal há mais de 10 anos. Ultrassonografia abdominal para investigação indicou vesícula biliar (VB) hipodistendida com sombra acústica em sua topografia. Foi optado por abordagem videolaparoscópica da VB. Os achados cirúrgicos indicaram múltiplas aderências entre VB com omento, cólon e duodeno, VB tópica, escleroatrófica de paredes espessadas, com cálculos em seu interior, fístula colecistoduodenal com orifício de cerca de 6mm. Realizou-se, então, via videolaparoscopia, colecistectomia subtotal mais rafia de duodeno. A paciente evoluiu no pós-operatório (PO) sem complicações e recebeu alta hospitalar sem intercorrências. Discussão: As fístulas bilio-entéricas são complicações raras em pacientes com colelitíase não tratada, sendo a colecistoduodenal a mais comum. A incidência é de 0,15-8% em pacientes com colelitíase e se apresentam entre 0,15-5% das cirurgias do trato biliar. A epidemiologia indica maior incidência em pacientes do sexo feminino a partir da sexta década de vida, com índices relevantes próximo aos 80 anos, de modo que a referida paciente se encontra em idade inferior à média da literatura. A afecção geralmente está associada a dores abdominais intensas com distensão e vômitos, sintoma negado pela paciente na queixa. Vale destacar a HAS como fator de risco à sobrevida de pacientes fistulados. A abordagem laparoscópica é também relevante, já que a cirurgia minimamente invasiva é apontada na literatura com eficácia > 50% para tratar fístulas bilio-entéricas. A fístula colecistoduodenal pode levar a íleo biliar, afecção rara, mas com elevada morbidade e mortalidade, principalmente em pacientes idosos, além de ser mais prevalente em mulheres e em pacientes com histórico de colelitíase, o que revela a importância de uma abordagem eficaz. Conclusão: A fístula colecistoduodenal é um evento raro relacionado à colelitíase, por isso se reforça a atipicidade do caso, seja pela ocorrência em si ou pela divergência em relação à epidemiologia. Assim, a laparoscopia é uma abordagem relevante durante a cirurgia de correção, sendo importante manter vigilância no PO, a fim de evitar complicações mais graves.

Área

Gastroenterologia - Pâncreas e Vias Biliares

Autores

Anderson de Sousa Jorge Sousa Jorge, Victoria Otoni Amorim Otoni Amorim, Gleydson César de Oliveira Borges César Borges, Kevyn Alisson Nascimento Gurgel Alisson Gurgel, Luiz Alberto de Freitas Júnior Alberto Freitas, Ana Beatriz Araujo Dantas Araujo Dantas, Mateus Mendes Santos Freire Mendes Freire, Juarez Juca de Queiroz Neto Juca Queiroz, Renan Bezerra de Oliveira Bezerra Oliveira