XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Cirurgia Robótica e minimamente invasiva para tratamento de Acalásia

Resumo

INTRODUÇÃO: A acalásia é um distúrbio primário do esôfago provocado pela degeneração neuronal do plexo mioentérico. Caracteriza-se por aperistaltismo do esôfago médio e distal e por um esfíncter esofágico inferior (EEI) com relaxamento incompleto durante a deglutição e frequentemente hipertônico em repouso. A sua etiologia não está esclarecida, admitindo-se fatores genéticos, infecciosos ou autoimunes. O espectro de sintomas é amplo, variando desde regurgitação, dor torácica, odinofagia, pirose, disfagia e até pneumonias aspirativas de repetição. O exame contrastado do esôfago, bem como a esofagomanometria, permitem a elucidação do diagnóstico e avaliação do grau de comprometimento do órgão. É importante a realização da endoscopia digestiva alta (EDA) para verificar se há doenças associadas à patologia, ou ainda excluir outras formas de estenose e/ou possíveis agravos orgânicos e funcionais. Quando o diagnóstico é confirmado, o acometimento muscular já pode ser irreversível e o prognóstico variável, sendo o tratamento para alívio de sintomas definido a partir do estágio da doença. OBJETIVO: O presente trabalho visa descrever uma opção de abordagem da acalasia idiopática, uma patologia crônica e rara em um paciente jovem do sexo masculino. MÉTODO: Foi realizada uma cardiomiotomia à Heller modificada, por via robótica, sucedida de uma fundoplicatura acessória a Toupet. PROCEDIMENTO: Na cardiomiotomia robótica, após colocação dos portais, realizou-se o afastamento do lobo esquerdo do fígado, a liberação dos pilares esofágicos, fundo gástrico e esôfago. Realizada a miotomia inicia-se a incisão na parede anterior do esôfago para exposição da camada mucosa com 6 cm cruzando a junção gastroesofágica e mais 3 cm na parede gástrica. Em seguida na fundoplicatura parcial a Toupet, utilizou-se o fundo gástrico como válvula antirrefluxo, com suturas na parede póstero-lateral do esôfago, com intuito de preservar o gradiente pressórico do EEI e evitar o refluxo gastroesofágico em uma perspectiva futura. No presente caso houve uma lesão inadvertida da mucosa esofágica durante a dissecção e optou-se por uma sobreposição da mucosa esofágica com epíplon. CONCLUSÃO: O tratamento com a cardiomiotomia à Heller modificada associada a uma fundoplicatura acessória por cirurgia robótica é uma opção minimamente invasiva que se mostra segura e eficaz para o controle de sintomas da acalásia esofágica, associado a uma rápida recuperação e a resultados de qualidade a longo prazo.

Área

Cirurgia - Esôfago

Autores

Layna Louise Cardoso Gonçalves Travassos, Roclides Castro De Lima, José Aparecido Valadão, Christian Lamar Scheibe, Giuliano Peixoto Campelo, Luís Eduardo Veras Pinto, Marcos Roberto Machado Júnior, Gustavo José Cavalcante Valadão, Gustavo Pereira Câmara de Carvalho