XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

DISSECÇÃO ENDOSCÓPICA SUBMUCOSA NO TRATAMENTO DE ADENOMA TUBULOVILOSO DUODENAL

Resumo



Alguns autores sugerem que o adenoma duodenal pode progredir para adenocarcinoma em 30 a 80 % dos casos, apesar da baixa incidência na população geral. A despeito do tratamento cirúrgico ainda ser considerado o padrão ouro, em locais com experiência em endoscopia terapêutica, a ressecção endoscópica tem sido cada vez mais adotada como terapia destas lesões. Apesar da técnica desafiadora e com índice de complicações maiores quando comparados a mucosectomia (EMR), a dissecção endoscópica submucosa (ESD), tem sido utilizada em muitas instituições por apresentar menores taxas de recidiva local.

Neste vídeo, demonstramos o caso de uma paciente 65 anos, do sexo feminino, submetida a endoscopia digestiva alta (EDA) por sintomas dispépticos que evidenciou lesão plano-elevada (0-IIa de Paris) em segunda porção duodenal, medindo cerca de 35mm, ipsilateral a papila maior, cujo exame histológico demonstrou tratar-se de adenoma túbuloviloso. Realizada caracterização da lesão com cromoscopia óptica e convencional + magnificação que não mostrou irregularidades de vasos ou criptas sugestivas de lesão invasiva de submucosa.

Prosseguiu-se então, em um segundo momento, com a ressecção endoscópica da lesão pela técnica de dissecção endoscópica submucosa (ESD).Foi optado por tal técnica devido ao tamanho e da disposição da lesão, caso contrário necessitaria de mucosectomia a piecemeal que aumentaria o risco de recidiva local, ademais se houvesse alguma área de adenocarcinoma impediria o correto estadiamento da lesão e consequentemente prejudicaria o planejamento terapêutico.
Realizamos este procedimento em regime de internação hospitalar com paciente sob anestesia geral, em suporte ventilatório e obrigatoriamente com insuflador de CO2.Realizada injeção submucosa de solução de Voluven + adrenalina + indigo carmim e iniciada a ressecção com auxílio de cateter tipo flush (Europa medical) pela face proximal. A coagulação dos vasos foi feita com auxílio da faca de dissecção ou de pinça tipo grasper. Houve pequena laceração profunda da muscular que foi prontamente tratada através da colocação de 4 clipes endoscópicos.

O exame histológico evidenciou adenoma túbuloviloso de baixo grau, categoria 3 (Classificação de Vienna).Paciente permanece em acompanhamento ambulatorial com equipe da gastroenterologia há 18 meses, foram realizadas endoscopias de controle que apresentaram cicatriz com aspecto satisfatório e sem sinais de recorrência da lesão.


Área

Endoscopia - Intestino delgado

Autores

Pedro Afonso Cardoso, Adriana Costa Genzini, André Silva Battagin, Fernanda Carvalho Franco