XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

ESTRONGILOIDÍASE COMO DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DE ÚLCERA DUODENAL

Resumo

Apresentação do caso: Paciente masculino, 52 anos, com epigastralgia, náuseas e vômitos ocasionais após infecção pelo SARS-COV2 em fev/22, com melhora parcial após utilização de inibidores de bomba de prótons. Apresenta HAS e HIV em uso de enalapril 10mg/dia, furosemida 10mg/dia, TARV (dolutegravir, tenofovir e lamivudina). Paciente bom estado geral, hipocorado +/4+ e abdome inocente. Hb 9.7g/dL, ht:30,4%, VCM: 96,5fL, HCM:30,8pg, neut: 2.310/mm3, linf: 1.860/mm3, eosino: 710/mm3, alb:4,1g/dL. Protoparasitológico das fezes e pesquisa de sangue oculto negativos. TC do abdome sem alterações. EDA evidenciou úlcera superficial de 4cm em "faixa", friável, recoberta por fina camada de fibrina, cujo anátomo patológico mostrou duodenite ulcerada associada a estrongiloidíase. Iniciado tratamento com ivermectina oral tendo excelente resposta. Discussão: A estrongiloidíase é causada pelo nematódeo Strongyloides stercoralis, sendo endêmica em regiões tropicais (estimativa de 600 milhões de pessoas infectadas). É uma doença negligenciada e que pode resultar em efeitos desastrosos em pacientes imunossuprimidos. A transmissão se dá através do contato da pele humana com larvas filarioides, ingesta de alimentos contaminados, autoinfecção interna ou externa. Normalmente as larvas vão para os pulmões, traqueia, esôfago, estômago, chegando ao intestino delgado. A doença geralmente é oligossintomática. Quando sintomática pode cursar com manifestações dermatológicas, pulmonares (síndrome de Loeffler) e ou gastrointestinais (dor epigástrica, náuseas, vômitos, diarreia). O diagnóstico é através da identificação das larvas nas amostras fecais, no entanto a sensibilidade é baixa, em torno de 30 a 50%. Nos casos de estrongiloidíase disseminada podemos encontrar larvas em fluidos corpóreos (escarro, lavado bronco-alveolar aspirado duodenal). O tratamento pode ser feito com tiabendazol, ivermectina ou albendazol. Pacientes imunossuprimidos devem ser tratados previamente visando os parasitas de ciclo pulmonar. A redução da transmissão se dá através do tratamento sanitário das fezes e medida de proteção individual como uso de calçados. Comentários finais: A estrongiloidíase deve sempre ser lembrada como diagnóstico diferencial em pacientes com queixas gastrointestinais, podendo ter eventos catastróficos se não tratado previamente a condições de imunossupressão. O presente relato trata-se de um caso atípico de uma úlcera duodenal secundária a Strongyloides stercoralis.

Área

Gastroenterologia - Estômago/Duodeno

Autores

Henrique Armando Azevedo Gabriele, Alexandre de Sousa Carlos