XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Influência da radioterapia nas complicações das próteses esofágicas em pacientes com neoplasia maligna avançada

Resumo

Introdução: as próteses metálicas autoexpansíveis (PMAE) são consideradas o tratamento de escolha para paliação da disfagia e tratamento de fístulas em neoplasias de esôfago inoperáveis. No entanto, a segurança das PMAE em pacientes submetidos à radioterapia e quimioterapia é controversa.

Objetivo: avaliar impacto da radioterapia (RT) nas complicações de PMAE esofágicas para o tratamento paliativo da disfagia ou fístula de etiologia maligna.

Método: estudo comparativo, retrospectivo, realizado em um centro terciário de referência para tratamento de câncer, no período de janeiro de 2009 a dezembro de 2018. Foram incluídos pacientes portadores de neoplasia de esôfago inoperáveis, submetidos a tratamento paliativo com PMAE. Informações referentes à realização de RT antes ou após o procedimento endoscópico, tipo histológico da lesão, tipo de prótese utilizada e eventos adversos após colocação das próteses foram coletadas.

Resultados: Um total de 323 pacientes portadores de estenose ou fístula foram tratados com PMAE. O tipo histológico predominante foi o carcinoma epidermóide (79.6%). Em 237 casos a indicação da prótese foi para a paliação da disfagia maligna e em 86 casos devido a fístula maligna. Foram utilizadas 282 próteses parcialmente recobertas e 41 totalmente recobertas. 118 pacientes foram submetidos a RT antes da inserção da prótese e 23 após o procedimento endoscópico. 182 pacientes não realizaram tratamento com RT. O grupo submetido a RT antes da colocação da PMAE apresentou elevada frequência de dor torácica intensa, quando comparado ao grupo que não realizou RT (9/118 7.6% vs 3/182 1.6%; RR 4.63 (1.28-16.77); p=0.02). O grupo submetido a RT após a PMAE apresentou risco elevado de eventos adversos em sua totalidade (13/23 56.5% vs 63/182 34.6%; RR 1.63 (1.08-2.46); p=0.02), ingrowth/overgrowth (6/23 26.1% vs 21/182 11.5%; RR 2.26 (1.02-5.02); p=0.04) e refluxo gastroesofágico (2/23 8.7% vs 2/182 1.1%; RR 7.91 (1.17-53.67); p=0.034). Pacientes que receberam RT apresentaram sobrevida maior, sobretudo RT antes da PMAE (p<0.001).

Conclusão: O tratamento com RT antes da PMAE em pacientes portadores de neoplasia de esôfago inoperáveis esteve associado a um maior risco de dor torácica intensa, no entanto, a sobrevida desse grupo de pacientes foi maior. A RT em pacientes que já possuem ou irão receber PMAE aumenta o risco de eventos adversos menores.

Área

Endoscopia - Endoscopia digestiva alta

Autores

ANDRESSA ABNADER MACHADO, IATAGAN ROCHA JOSINO, BRUNO COSTA MARTINS, RAFAEL UTIMURA SUETA, JULIA MAYUMI GREGORIO, DEBORAH MARQUES CENTENO, PASTOR JOAQUIN ORTIZ MENDIETA, RENATA NOBRE MOURA, LUCIANO LENZ, MARCELO SIMAS DE LIMA, GUSTAVO ANDRADE DE PAULO, ADRIANA VAZ SAFATLE RIBEIRO, FAUZE MALUF FILHO