XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

EVOLUÇÃO RARA DE AUSÊNCIA DE CONTRATILIDADE PARA ACALÁSIA DO ESÔFAGO: UM RELATO DE CASO

Resumo

APRESENTAÇÃO DO CASO: Paciente do sexo feminino, 68 anos, branca, previamente hígida. Em 2014, procurou atendimento por sintomas de disfagia para alimentos sólidos. Na ocasião, realizada manometria esofágica de alta resolução (MAR) com resultado de ausência de contratilidade: Pressão de Relaxamento Integrada - IRP - mediano 17.7 mmHg (valor normal < 23.5 mmHg). Realizada sorologia para Chagas com resultado negativo. Manteve seguimento do quadro, porém, em 2022, paciente referiu piora significativa da disfagia, além de perda ponderal. Nesse momento, optou-se por realizar nova MAR, a qual apresentou como resultado acalasia (IRP mediano 34.6 mmHg).
DISCUSSÃO: A MAR de 2014 revela, conforme os “critérios de Chicago” (CC v04), o quadro manométrico típico de ausência de contratilidade (AC) enquanto a de 2022 mostra inequivocamente o diagnóstico de acalasia tipo I. A AC, distúrbio motor caracterizado por ausência de contrações do corpo esofágico e relaxamento normal do esfíncter esofagiano inferior (EIE), é encontrada muitas vezes em portadores de esclerose sistêmica e outras doenças do colágeno, e também em portadores da doença do refluxo gastroesofágico, mas em uma proporção expressiva de casos não é possível se estabelecer associação com qualquer outra entidade nosológica. Entretanto, há relatos de casos de acalásia tipo I cujo diagnóstico inicial é AC, sugerindo que esta poderia evoluir para aquela. O presente caso demonstra, de forma inédita, a evolução manométrica de AC para acalasia. A acalasia tem fisiopatologia bem definida, constituída pela degeneração dos plexos mioentéricos do esôfago, com prejuízo da inervação inibitória desse órgão, incluindo o EIE. É possível que, no presente caso, o prejuízo da inervação tenha inicialmente se limitado ao corpo do esôfago, com preservação do relaxamento do EIE, compondo o quadro de AC. A degeneração dos neurônios intramurais do EIE se estabeleceu posteriormente convertendo o quadro manométrico ao de acalasia tipo I.
COMENTÁRIOS FINAIS: O caso ilustra a conversão de ausência de contratilidade esofágica em acalásia. A fisiopatologia ainda é incerta, o que demonstra a importância de surgirem novos estudos em relação a evolução dos distúrbios motores esofágicos.

Área

Gastroenterologia - Esôfago

Autores

Luiza Martins Baroni, Ricardo Brandt de Oliveira, Felipe Nelson Mendonça, Marina Guedes de Souza, Henrique Lopardi Passos, Nadjanine Linhares Casimiro, Manuella Andrade Sobral, Maria Luiza Terra Santos, Luis Henrique Barreto Chaves