XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

CERVICOTOMIA EM COLAR COM ADIÇÃO DE ESTERNOTOMIA PARCIAL PARA TIREOIDECTOMIA TOTAL POR BÓCIO MERGULHANTE

Resumo

Apresentação do caso: D.P.F, sexo masculino, 75 anos, pardo, natural e procedente de Curvelo (MG). Paciente encaminhado pelo cardiologista para o Hospital Santo Antônio (Curvelo) após constatar anormalidade em tomografia computadorizada de tórax (TC). Ele queixava dificuldade de respirar ao deitar e de deglutir. História patológica pregressa: hipertensão arterial sistêmica, cardiopatia arritmogênica, insuficiência cardíaca, doença pulmonar obstrutiva crônica, diabetes mellitus. Hábito de vida: ex-tabagista. Ao exame físico e ao ultrassom, apenas porção superior da tireoide foi visualizada na região cervical. A propedêutica prosseguiu com TC, que constatou BM pré-visceral em relação à traqueia e ao esôfago. Foi indicada tireoidectomia total. O exame anatomopatológico diagnosticou bócio multinodular coloide (atóxico).
Discussão: Bócio é o termo usado para denominar o aumento de volume da glândula tireoide. Em cerca de 1% dos casos, mais de 50% da tireoide aumentada localiza-se abaixo da fúrcula esternal, invadindo a cavidade torácica, sendo esse quadro clínico denominado bócio mergulhante (BM). A fisiopatologia do BM não é bem definida, mas alguns fatores podem influenciar seu desenvolvimento, como o tamanho do pescoço, a musculatura cervical hipertrofiada e a cifose acentuada. Tais fatores impedem o crescimento normal do bócio por obstrução mecânica, forçando sua expansão para o mediastino superior. O BM é classificado de acordo com a quantidade de tecido tiroideu intratorácico, podendo ser retroesternal, parcial ou total. O paciente apresentava BM parcial, que representa 10-15% dos casos. A sintomatologia do BM se deve, principalmente, à compressão de estruturas torácicas, manifestando com dispneia e disfagia. Um sintoma grave é a obstrução paroxística da via aérea, frequente em decúbito dorsal; como relatado pelo paciente. Em casos de BM, a terapêutica cirúrgica é sempre indicada. A abordagem escolhida depende da extensão do componente intratorácico, sendo a cervicotomia a primeira escolha. No paciente, a cervicotomia em colar não teve sucesso em função do grau de invasão torácica da tireoide, sendo necessária adição de esternotomia parcial. Nessa cirurgia, deve-se identificar o nervo laríngeo recorrente, para evitar complicações relacionadas a sua lesão, como a disfonia.
Conclusão: O desfecho do caso evidenciou a importância da experiência cirúrgica dos médicos frente à necessidade de um procedimento mais invasivo devido à complexidade do caso.

Área

Cirurgia - Miscelânea

Autores

Miguel Sousa Annuzzo, Luiza Fernanda Machado Vasconcelos, Biagio Annuzzo