XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Gastroparesia diabética e a dificuldade em seu manejo no paciente que se mantém hiperglicêmico

Resumo

Apresentação: A.P.F., 35 anos, feminino, paciente com diabetes melitus tipo 1 de difícil controle, consulta por saciedade precoce e náuseas diária associada a pirose recorrente, sem controle com uso de omeprazol 20 mg ao dia adequadamente. Realizada cintilografia de esvaziamento gástrico com evidencia de acúmulo do radiofármaco no estômago, com esvaziamento gástrico apresentou T ½ 129 minutos, portanto, lentificado. Posteriormente realizou uma endoscopia digestiva alta que evidenciou esofagite erosiva distal grau B de Los Angeles, com pesquisa para h.pylori negativa pelo metodo de Giemsa. Tendo sido afastadas outras causas para gastroparesia o diagnóstico foi estabelecido como de causa diabética.
A paciente foi orientada a dieta fracionada, evitando-se alimentos gordurosos e qualquer medicação que retarde o esvaziamento gástrico também aumentado a dose de omeprazol para 40 mg ao dia e associado domperidona 10 mg as refeições e reencaminhada para o serviço de endocrinologia para controle glicêmico.
Em retorno ambulatorial relata não estar com controle adequado do diabetes, assim como, apresentando dor epigástrica pós alimentar, saciedade precoce, náuseas e vômitos, sendo aumentada dose de domperidona para 20 mg 3 vezes ao dia e informado importância de ajuste glicêmico. Paciente apesar de seguir todas as orientações médicas e uso de medicações refere que mesmo com ajuste medicamentoso mantem apresentando-se muito sintomática e com limitação da qualidade de vida, porém com hemoglobina glicada e glicemia de jejum ainda elevadas. Encaminhada para ajuste de insulinas e controle glicêmico adequado.
Discussão: Gastroparesia é uma desordem que consiste no retardo do esvaziamento gástrico pela redução da motilidade estomacal. Os pacientes portadores de Diabetes Mellitus (DM) tipo 1 e 2 são comumente acometidos por esta patologia, sendo, nesses indivíduos, denominada gastroparesia diabética. A hiperglicemia retarda o esvaziamento gástrico, tanto em indivíduos normais como em diabéticos. A atividade contrátil interdigestiva (IMMC) é inibida nos estados hiperglicêmicos, podendo levar à retenção de material não digerível na luz gástrica.
Conclusões finais: Apesar dos avanços na compreensão de sua fisiopatologia, a gastroparesia diabética ainda se constitui num problema de difícil abordagem clínica, com sucesso terapêutico limitado. O rigoroso controle glicêmico, ao lado de medidas dietéticas, constitui o ponto de partida na terapêutica.

Área

Gastroenterologia - Estômago/Duodeno

Autores

Letícia Bêe, Jéssica Machado Fretta, Ana Paula Godoy Finger