XXI Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Hemobilia por Pseudoaneurisma de Artéria Pancreatoduodenal Pós Pancreatite: Relato de Caso

Resumo

Paciente R.R.C, 37 anos, masculino, deu entrada no Pronto Socorro com história de 3 meses antes de sua admissão ter apresentado episódio de melena, cefaleia, artralgia, cansaço e náuseas. E cerca de 3 episódios diários de melena há 7 dias. Negava hematêmese, vômitos ou outras queixas. Paciente etilista, cerca de 500 ml diários de destilados, tabagista, negava comorbidades ou alergias. Sinais vitais estáveis, abdome inocente e melena no toque retal. Realizado Ultrassom de Abdome com esteatose hepática grau III, Ectasia de veia porta, imagem sugestiva de pseudocisto pancreático, vesícula biliar sem cálculos. Devido à suspeita de Hemorragia digestiva, realizada Endoscopia Digestiva Alta com Hemobilia, e sangramento ativo ao nível da papila. Colangiorressonância com sinais sugestivos de pancreatite crônica e pseudocisto, trajeto fistuloso entre o pâncreas e parede gástrica, sem nítida comunicação com a luz gástrica. Realizada Angiografia por subtração do tronco celíaco, artéria hepática própria e artéria gastroduodenal com imagem compatível de pseudoaneurisma de artéria pancreatoduodenal com aproximadamente 2 x 1,5mm. Porém o hospital não conta com serviço de endovascular, sendo então indicada abordagem cirúrgica via laparotomia, e realizada a ligadura da artéria e veia gastroduodenal. Hemobilia é a hemorragia do trato hepatobiliar, 2-5% das hemorragias digestivas altas. A tríade clássica da hemobilia, ausente neste caso, inclui dor em hipocôndrio direito, hemorragia digestiva e icterícia obstrutiva. A pancreatite crônica associa-se a diversas complicações vasculares, como pseudocisto e formações pseudoaneurismaticas. Tais complicações são raras e de difícil suspeição clínica. Lesões arteriais devido pancreatite acometem com maior frequência a artéria esplênica(40%), em seguida a gastroduodenal(30%), pancreaticoduodenal(20%), gástrica(5%) e hepática(2%). O manejo inicial foi para estabilização hemodinâmica e após, intervenção do sangramento. São recomendadas medidas minimamente invasivas através de endoscopia, CPRE ou radiologia intervencionista. O tratamento cirúrgico é associado à maior taxa de mortalidade, reservado em casos associados à infecção ou compressão de outras estruturas vasculares ou na falha das medidas menos invasivas. O caso apresentado, a despeito das recomendações atuais que preconizam terapias minimamente invasivas, foi realizado tratamento cirúrgico como única alternativa disponível no serviço sem intercorrências e com efetividade.

Área

Cirurgia - Miscelânea

Autores

Diogo Iengo Nakamura, Vitoria Oshiro Orro, Anna Paula Costa Sacchq, Manuella Lugo Chaves