XX Semana Brasileira do Aparelho Digestivo

Dados do Trabalho


Título

Tratamento endoscópico à vácuo de fístula esôfagojejunal após gastrectomia total: um relato de caso

Apresentação do Caso

J.A.F, 68 anos, comparece ao Hospital de Clínicas de São Bernardo do Campo, por quadro de hemorragia digestiva alta, exteriorizada por melena. Antecedente cirúrgico: Gastrectomia parcial com reconstrução à B2 há 20 anos por úlcera gástrica perfurada. Realizou Endoscopia Digestiva Alta (EDA), que evidenciou lesão ulcerada de 2cm, na parede anterior do corpo gástrico remanescente (BORRMANN 2). Optou-se pela terapêutica endoscópica, com colocação de clipe metálico e escleroterapia. Paciente manteve instabilidade hemodinâmica e devido à refratariedade do tratamento, foi submetido à gastrectomia total (GT) com reconstrução em Y de Roux por tumor ulcerado. No 7º dia pós operatório (PO), apresentou conteúdo turvo em dreno abdominal (DA) vigiando esofagojejunoanastomose, com teste do azul de metileno positivo. Por ser uma fístula de baixo débito e sem repercussão clínica, optou-se pela conduta conservadora. No 19º PO, paciente manteve aspecto turvo em DA, com aumento progressivo de débito. Assim, optou-se pelo tratamento endoscópico à vácuo (EVT), que evidenciou anastomose esôfago jejunal distensível e orifício fistuloso de 10 mm com trajeto epitelizado e bloqueado, além de presença de dreno de penrose. Substituiu-se esse, pelo Pigtail 10Fr para instituição do vácuo e passagem de sonda nasoenteral. Paciente realizou troca de vácuo a cada 7 dias via EDA, e após 30 dias manteve-se estável, tendo alta hospitalar com resolução completa do quadro fistuloso.

Discussão

A fístula de anastomose esofagojejunal é uma complicação comum pós gastrectomia. O tratamento conservador é preferível em casos assintomáticos. Se necessário intervenção, opta-se pela drenagem cirúrgica, desvio do trânsito alimentar ou oclusão por EDA. O tratamento endoscópico à vácuo (EVT), elegido no caso relatado, é uma opção recente de tratamento para o fechamento das fístulas e apesar de estudos relatarem altas taxas de sucesso terapêutico, ainda faltam diretrizes para sua indicação. O EVT consiste na utilização de uma esponja ligada a um sistema de pressão negativa, que proporciona aproximação das bordas da ferida, absorção de exsudatos, estímulo da microvascularização e controle de infecção. Estudos recentes mostram altas taxas de cicatrização com o uso do EVT, além de melhora do quadro infeccioso.

Comentários finais

Além da eficácia da técnica, o EVT tem poucos efeitos adversos, é minimamente invasivo e tende a ser cada vez mais utilizado.

Palavras-Chave

Fistula; Fístula Anastomótica; Endoscopia; Vácuo;

Área

Endoscopia - Endoscopia digestiva alta

Autores

LUISA GONZALLES YAZAKI, LARISSA MARIANA AYDE, BARBARA DE ARAUJO CASA, ANA BEATRIZ ALVARENGA CANSANÇÃO, TAMY DRUMMOND ZLOCHEVSKY, GABRIELA CAMILO TEIXEIRA, JOÃO EMILIO PINHEIRO, FERNANDA CAVALCANTE CABRAL, Isabella Cristina Couto, Isabella Cristina Couto, Isabella Cristina Couto, Mylena Nogueira da Cruz, Mylena Nogueira da Cruz, Mylena Nogueira da Cruz